• Maryse Suplino

Amanhã


Nas últimas semanas, tenho pensado sobre o pensamento. No quanto o campo ainda desconhecido da mente é preenchido por esse conteúdo imaterial e, ao mesmo tempo tão dinâmico e volumoso que, às vezes, parece ocupar todo o recinto e ainda assim, reivindicar mais espaço. Estou aludindo a toda atividade mental que em nós é manifesta e que se apresenta por meio de sons, imagens e palavras. Me pego pensando no quanto a qualidade e características de tal conteúdo podem nos fortalecer e da mesma forma nos abater. Não à toa, nos vemos, por vezes, tentando nos livrar de certos pensamentos como se os mesmos estivessem ocupando um espaço indevido.


Nesses últimos dias, para enfrentar o peso e o desgosto trazidos pelas enxurradas de más notícias, minha mente tem sido inundada por canções. Elas se tornaram os meus pensamentos. Algumas vezes se apresentam nas letras ditadas pela memória, outras nas vozes dos cantores, ou ainda na minha própria voz. São executadas exclusivamente para mim. Apenas eu posso ouvi-las. Essas canções continuadamente me convidam a meditar nas verdades que carregam escondidas na poesia e, ao mesmo tempo, me animam e trazem esperança.


De dois dos meus compositores prediletos tenho ouvido versos constantemente na minha cabeça: Amanhã, apesar de hoje ser a estrada que surge pra se trilhar e Não existiria luz se não fosse a escuridão de Guilherme Arantes e Lulu Santos, respectivamente.

Por dias seguidos tenho sido inundada por essas palavras cantadas por eles, por mim ou simplesmente repetidas pela voz de um professor interior que parece ocupado em garantir que o aluno não esqueça a lição.


Amanhã, apesar de hoje ser a estrada que surge pra se trilhar. Esses são os versos do autor. O sentido é claro. Há um amanhã (esperança), embora a estrada que tenhamos para trilhar no momento é o hoje.


O texto é perfeito. Minha mente, contudo, fez uma adequação na letra e apresentou-a cantada dessa forma: “Amanhã, apesar de hoje, será estrada que surge pra se trilhar. ”

Nas duas versões o amanhã se impõe, inexoravelmente, ele chega. Ele vai chegar como um caminho novo, diferente de hoje, apesar de hoje. É o nascimento, o surgimento daquilo que no momento não conseguimos ver porque está chegando.


Não existiria luz se não fosse a escuridão.


A sombra, o escuro são a ausência de luz. Basta a presença da luz, ainda que de pequena intensidade, que a qualidade da escuridão se altera, modifica. A escuridão serve para revelar a luz.


Então, nos apeguemos a todo e qualquer vestígio de luz que se nos apresente de modo a estarmos aptos para receber o Amanhã.

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