• Maryse Suplino

Temos uma criança com autismo na família.

Vamos falar sobre isso?

Resolvi escrever sobre um assunto que, a meu ver, é bastante recorrente entre as famílias: o silêncio acerca do diagnóstico recebido por um de seus membros. Não estou falando sobre o silêncio no interior da casa que, a partir do diagnóstico estabelecido, vai precisar lidar com uma realidade diferenciada. Falo do silêncio que extrapola o espaço de convivência mais diária, imposta pelo limite de viver sob o mesmo teto, e alcança o espaço familiar como um todo. Falo do silêncio que alcança a família estendida, como gosto de me referir aos membros que não fazem parte do circuito pai-mãe-filhos. A nomenclatura correta seria família extensa.


O que leva uma família como todo (família nuclear + família estendida) a estabelecer um pacto de silêncio sobre um assunto que envolve a todos, direta ou indiretamente?

Costumo dizer que o “não dito” habita um lugar de solidão cuja força ganha poder e enchimento quando, por conta do incômodo ou desconforto que abordar tal tema gera entre os interlocutores, algo não é falado.

O silêncio gerado aponta, não para calma, paz, sossego e tranquilidade, mas para um mutismo sofrido, um segredo escondido, um grito contido. Sempre pensei que as coisas que são trazidas à luz, discutidas, olhadas de frente (sobretudo aquelas que nos incomodam) perdem peso.


Outra vez a pergunta: o que leva uma família a não falar sobre a condição de uma criança ou jovem que tem o diagnóstico de TEA? A muitas vezes não admitir e nem nomear o que essa pessoa tem?

Provavelmente, o fato esteja relacionado ao peso que o rótulo traz. Toda vez que se nomeia algo, é como se o trouxesse para a esfera do real e, juntamente com a materialidade, chegam as consequências e os desdobramentos relativos ao mesmo.

Durante algum tempo eu dei pouca importância ao nome que se dá a uma condição, por exemplo, TEA. Continuo com a mesma posição, no sentido de desmontar a paralisia que o nome/diagnóstico traz. Contudo, considero importante nomear, no sentido de admitir para, em seguida, extrapolar o nome e entender que a pessoa é muito mais que aquilo que ela tem.

Penso que, se tratando da família estendida, a situação clarificada, exposta aumenta a possibilidade de apoio à família nuclear.

Conhecer, no sentido de saber, a condição da criança ou adolescente, provavelmente levará a um processo de trocas, suportes, conflitos, ajustes que terá como produto um grupo mais tolerante, mais aberto, mais acessível e mais inclusivo. Tal processo, possivelmente, promoverá uma maior possibilidade de entrada à criança ou jovem com TEA ao primeiro espaço social que experimentamos.


Que a força para incluir esteja contigo!

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