• Maryse Suplino

Atypical

Uma série sobre autismo, família, amizade e relacionamentos.


Recentemente comecei a assistir Atypical (Netflix, 2017), seriado com o qual simpatizei desde o título, que em tradução livre sugere o

não típico, não usual, não comum e poderia indicar qualquer um de nós.

Embora, no contexto da série, a expressão aponte para a designação frequentemente utilizada por profissionais ao se referirem ao desenvolvimento de pessoas com autismo: atípico.


Estarei focando em temas gerais que são discutidos ao longo da série e que já se apresentam no primeiro episódio, evitando spoilers, para o caso de vocês resolverem assistir ao programa.


Depois do título, outro aspecto que me chamou atenção nesse seriado foi a construção do personagem Sam Gardner, interpretado pelo ator Keir Gilchrist. O ator consegue compor um personagem legítimo e verossímil principalmente se pensarmos em pessoas com autismo de nível 1, que é o caso do Sam. Keir interpreta uma pessoa que poderíamos encontrar a qualquer momento e em qualquer lugar e isso, claramente se destaca no contexto do seriado.


Alguns eixos temáticos que já, de alguma forma, se anunciam e que serão, provavelmente, discutidos pela série ao longo das temporadas são:


1- a relação mãe e filho com TEA;

2- o relacionamento pai e filho com TEA;

3- a relação marido e mulher que têm um filho com TEA;

4- o relacionamento entre irmãos, sendo um com TEA;

5- a vida afetiva e a sexualidade de pessoas com TEA;

6- o trabalho; os amigos.


Sobre o primeiro tópico, acredito que a série vai desenvolver essa relação pontuando para nós como essa mãe (como inúmeras, talvez, a maioria das mães de pessoas com autismo) tem uma relação muito aproximada com o filho. Ela se coloca no lugar de quem o compreende. Talvez mais do que as demais pessoas, inclusive o pai.

A série se propõe a nos mostrar como essa mãe vai se posicionar a partir das dificuldades e alegrias encontradas pelo filho no mundo que ele precisa habitar.

O seriado também discute o relacionamento do pai com o filho. O pai está num lugar diferenciado daquele lugar que a mãe ocupa e que também, de uma certa forma, é o lugar no qual ele se colocou ou que a ele foi delegado, já que há um acordo familiar sobre o fato de que a mãe lida melhor que o pai com as questões do filho. Ao mesmo tempo, podemos ver como esse pai, já no primeiro episódio, dá início a uma tentativa de aproximação, de compreensão do funcionamento de Sam.

Talvez mais do que isso, ele comece a procurar um espaço onde possa desenvolver um relacionamento pai e filho com um filho que não é exatamente aquele que ele imaginou.

Um filho que não comunga seus interesses (como ele vai deixar claro). Não sabemos como foi a trajetória do personagem, como ele desempenhou seu papel de pai durante a infância, puberdade e no início da adolescência de Sam. A série nos apresenta um pai se esforçando para começar a construir uma relação com o filho.


O seriado aborda ainda as questões de um casal no contexto de uma família que tem um filho com TEA e como isso interfere nessa relação. É também oportuno o fato de Sam ter uma irmã. Confesso que estou curiosa para acompanhar como o relacionamento entre irmãos nos será apresentado. No primeiro episódio Casey (Brigette Lundy-Paine) se coloca no papel de defensora do irmão, de alguém que o compreende. Vamos acompanhar como essa relação evolui daí para frente.


O fato de a série nos apresentar um jovem adulto com TEA traz uma riqueza de conteúdo porque as questões que acompanham essa fase da vida apontam para, entre outras, a sexualidade, vida afetiva, vida amorosa que são temas de significativa importância no que tange às pessoas com autismo.

Esses aspectos costumam ser pouco discutidos. Penso que passa pela dificuldade de compreensão, aceitação ou até mesmo (na falta de uma palavra melhor) de visualização por parte dos demais de que este é um aspecto que faz parte da vida de uma pessoa com TEA, como é também parte da vida de qualquer outra pessoa.


Finalmente, porém não menos importante, a relação com os amigos e com o trabalho, dois aspectos significativos para a vida de um jovem. Essas duas questões provavelmente nos trarão discussões e reflexões de considerável importância.


Por tudo isso, penso que essa é uma série que vale a pena ser assistida. Desenvolveram uma narrativa que buscou olhar a questão do autismo de uma forma séria e uma maneira que pudesse apresentar elementos da vida comum de uma pessoa com TEA e sua família. Muito provavelmente, mais adiante ao longo das temporadas, estarei comentando alguns episódios que me chamarem atenção ou, talvez, aspectos específicos abordados pelo programa que possam nos ajudar a dialogar sobre certas questões que me parecerem relevantes.


Que a FORÇA para incluir esteja contigo!

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