• Maryse Suplino

O coronavírus e a pandemia do medo.


Estamos todos com medo.


Medo de um inimigo invisível aos olhos, cujas consequências da existência e ação são vistosas, alarmantes e chocantes.


Estamos com medo de algo que para nós não tem precedentes, porque no Brasil não experimentamos com a frequência que de outras nações vivenciam, situações de catástrofes, desastres naturais, guerras e destruições, graças a Deus.


Por conta da falta de treino e memória, talvez, para alguns seja difícil absorver a extensão da gravidade do momento. Outros já perceberam que não há como aplicar nenhuma das fórmulas do “jeitinho brasileiro” para resolver a situação. Será necessário, sim, respeitar os protocolos, fazer os sacrifícios necessários, pensar para além de nós mesmos.


É chegado o momento de todos, arregimentados para a guerra, utilizarem as armas aprendidas ou pelo menos aludidas durante os tempos de paz: solidariedade, respeito, bondade...


Ser capaz de perder um pouco para que outros possam ganhar o direito a proteger sua saúde. Respeitar o limite que se impõe, reduzindo os contatos físicos das crianças com os mais velhos. Resistir ao impulso de levar para casa todo o estoque de álcool em gel encontrado na prateleira do mercado.


Para nós é uma experiência nova e um tanto desconcertante a necessidade de ficar dentro de casa e falar com os que amamos apenas pelo telefone. Encontrar um conhecido e apenas acenar adicionando um sorriso sem graça de quem diz “Não dá pra fazer mais que isso”.


Perturbador o dia passado em meio a notícias preocupantes (chegadas através da televisão, do computador e celular) misturadas com a incerteza de que se quem você ama conseguirá chegar a tempo, antes das barreiras serem levantadas.



Estamos com medo.


Medo pelos nossos amigos e parentes que fazem parte do grupo de risco. Medo por todos os brasileiros que, ainda que desejem, talvez não tenham a opção de fazer o isolamento social necessário unicamente porque os espaços físicos onde habitam não permitem.


Precisamos enfrentar o medo e agir. Cada um dentro da trincheira que ocupa.


Ocorre que a guerra não é apenas nossa, é mundial. Temos acompanhado outros países que entraram na guerra antes de nós. A experiência vivida por eles pode nos ensinar muito acerca do combate.


Tudo vai passar.


O Novo Corona vírus, assim como seus antecessores, o SARS-CoV e o MERS-CoV, desaparecerá.


Ao nos deixar, o vírus levará consigo o estranhamento experimentado na fila da farmácia por conta da proximidade do outro cliente; a insegurança presente no momento de segurar nas barras do ônibus ou metrô. Arrastará com ele a ansiedade e o medo...


Quem sabe, permaneça com os vitoriosos da guerra as lições de fraternidade e humildade só aprendidas em momentos nos quais somos confrontados com a fragilidade da vida.


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