• Maryse Suplino

Série Inclusive... INFO!


Por que o termo autismo foi usado para denominar essa condição?


O termo autista vem da designação dada a certos comportamentos apresentados por pessoas esquizofrênicas na década de 1930. Foi atribuído à condição que hoje conhecemos como TEA, pela primeira vez, por Hans Asperger, em 1938, na Áustria, para descrever a personalidade de um grupo de meninos que ele vinha estudando. Ele a nomeou personalidade autista.


A expressão já existia e era utilizada na época pela psiquiatria. Asperger esclareceu na ocasião que, apesar da palavra no jargão médico psiquiátrico ser usada para designar comportamentos exibidos por pessoas com esquizofrenia, não se tratava do mesmo caso.


Ele utilizou a expressão porque ela caracterizava a tendência do indivíduo a alhear-se do mundo exterior e ensimesmar-se manifestada através do retraimento social, preferência por isolamento e interrupção na comunicação das crianças.

Cinco anos depois, em 1943, Leo Kanner utilizaria nos EUA a palavra autismo para denominar um comportamento que lembrava aquele apresentado na esquizofrenia. Mas, como também fez questão de apontar, diferenciava-se dela. Segundo ele, dois diferenciais relevantes estavam presentes no autismo ao qual se referia: a condição se apresentava em crianças pequenas (algumas com dois anos) e não vinha acompanhada por alucinações.



Por que o autismo se manifesta mais em meninos?


Hoje sabemos que a proporção é de quase cinco meninos afetados para cada menina. Contudo, a explicação para esse fato permanece em construção, como tantas outras no que diz respeito ao autismo. Algumas teorias surgiram ao longo dos anos para tentar elucidar o porquê da incidência cinco vezes maior do autismo na população masculina.


Uma delas é a Teoria do cérebro masculino extremo trazida pelo psicólogo inglês Simon Baron-Cohen.


Essa teoria tem por base as diferenças comprovadas entre os cérebros masculino e feminino. Tais diferenças demonstram que as meninas tendem a ter melhor desempenho em habilidades verbais. Os meninos, por sua vez, se destacam nas habilidades viso espaciais, bem como em análise matemática. Se propusermos uma masculinização extrema do cérebro, seriam preponderantes duas importantes características do autismo: a dificuldade na comunicação verbal e a sistematização exacerbada.


Um estudo foi conduzido na Alemanha com o objetivo de examinar a probabilidade de TEA em função da diversidade relacionada ao sexo na estrutura do cérebro e contou com a participação de noventa e oito adultos com TEA.


Os resultados sugeriram que o sexo biológico modula significativamente a base neurobiológica do TEA e que indivíduos do sexo feminino podem ter um limiar mais alto para serem afetados pela condição.

Em outras palavras, mulheres podem precisar se desviar mais neurobiologicamente de sua população normativa para demonstrar um quadro clínico de TEA. Assim sendo, os cérebros femininos exigiriam maior carga mutacional para atingir o limiar de diagnóstico de TEA. Ou seja, o desvio neurológico no caso feminino teria de ser maior que o necessário no caso dos homens para levar a um quadro de TEA.


Apesar das diversas descobertas relativas às diferenças estruturais entre os cérebros masculinos e femininos apontadas em estudos como o aqui citado, permanecem, entretanto, desconhecidos os fatores que determinam o porquê de tais diferenças estabelecerem a menor incidência de autismo no sexo feminino.


Que a Força para incluir esteja com vocês!

23 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
QUER FICAR POR DENTRO DAS NOVIDADES?
ASSINE AGORA NOSSA NEWSLETTER!

CLIQUE E LEIA

GRÁTIS!!!

CFN.jpg
capa ensinando.png