• Maryse Suplino

Saindo da pandemia


Confesso que ansiei pelo momento no qual poderia escrever um texto que tivesse esse título. Considerando a trajetória que experimentamos a partir de março desse ano, cogitei inventar um verbo. Seria o verbo resilienciar e, então, escreveria a partir dele. Resilienciar, na minha interpretação, seria aplicar a resiliência. Pensando o Brasil como um todo, sinto como se estivéssemos, de fato, vivenciando uma corrida de resistência. Em alguns momentos o final nos parece mais próximo. Entretanto, pouco adiante uma curva é revelada e inaugura uma nova porção de caminho a percorrer. Refletindo mais cuidadosamente, preferi investir em outro verbo igualmente inventado, mas já bastante utilizado: esperançar. Investirei no verbo esperançar porque é chegado o momento de organizar a saída desse tempo de trevas, ainda que no Brasil isso não vá acontecer de modo uniforme nem ao mesmo tempo. Vivendo no Rio de Janeiro, é possível observar como a cidade vai, aos poucos, se ajustando a esse novo contexto. Às vezes cometendo excessos; em outras se portando com prudência e bom senso.


Inicia-se o tempo do necessário planejamento. Um planejamento para curto, médio e longo prazos, por mais que os períodos de validade de cada um devam ser negociáveis em função da indefinição de todas as coisas. Como então planejar sem saber? Vejo uma saída. A única saída: ter esperança. Ir ainda mais longe do que tê-la: esperançar tudo. Besuntar, preencher, alagar, cobrir tudo de esperança; sejam pensamentos, projetos, sonhos, desafios ou ações.


Acho que, pensando bem, a esperança é a mãe da resiliência. Ela foi e continua sendo a responsável pelo movimento, ainda que por vezes ele pareça inexistente. Pode ser definida de diferentes maneiras, mas sempre envolve a ideia de avançar. Seguir adiante. Não parar nunca. Não estivemos parados. Algumas vezes, sim, fechados para balanço. Em atividade sutil e imperceptível para quem observa de fora.


Penso que chegou a hora de, com esperança, retomar o foco. Ajustá-lo, recriá-lo, reconduzi-lo ao seu lugar. Dar início ao movimento, cada um no seu ritmo. Ajustando as minhas lentes na inclusão das pessoas com autismo e/ou deficiência intelectual, busquei colaborar com uma reflexão encaminhada pelo Instituto de Capacitação e Promoção da Inclusão Ann Sullivan sobre a saída da pandemia para pessoas com autismo e/ou deficiência intelectual que está disponível na Biblioteca Online do instituto.


Para terminar, visito mais uma vez a canção Amanhã de Guilherme Arantes já comentada na última postagem: Amanhã (...) temores abrandados, será pleno.*


Que a força para incluir esteja com vocês!


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