• Maryse Suplino

Trata-me como Pessoa


De todos os aprendizados relativos ao atendimento, tratamento e/ou terapias destinados às pessoas com TEA, a maior e mais importante lição que aprendi nos últimos trinta anos foi a respeito do trato dirigido às mesmas.


Iniciei meu trabalho com esse grupo num momento no qual pouco se sabia ou falava sobre o assunto no Brasil. Havia, sim, um grupo de profissionais e pais engajados no tema, mas me refiro ao acesso da população em geral no que se refere ao assunto. Naquela época, o diagnóstico se dava através de marcadores específicos que talvez facilitassem a identificação a partir da expressão dos mesmos no comportamento de tais pessoas. Não raro, encontrávamos meninos (e umas poucas meninas) com comportamentos estereotipados que viriam a representar ou definir por vários anos no imaginário das pessoas como seria uma pessoa com autismo.


Das crianças e adolescentes que atendi, muitos andavam nas pontas dos pés, balançavam o tronco, apresentavam flapping (balançar as mãos), não permitiam o toque de outros, não falavam, tinham graves comportamentos auto e heteroagressivos.


Aprendi, logo no início, que seria necessário despir meu olhar de todas essas manifestações comportamentais e das aparentes limitações para centrá-lo, no elemento presente do outro lado da equação que se estabelece no momento em que nos dispomos a conviver, ensinar, trabalhar com pessoas: a PESSOA.

O entendimento de que se trata de gente participando da interlocução precisa ser imediatamente construído/estabelecido no nascimento da relação. Não existe vínculo entre um ser humano e uma condição ou diagnóstico.


Passados mais de trinta anos, continuo ouvindo histórias, relatos e depoimentos que me informam que a principal das lições ainda carece de ser divulgada, ensinada, entendida. Faz tempo, Judith LeBlanc traduzindo a voz de pessoas com autismo e outras condições criou a máxima “Trata-me como pessoa”. Parece algo simples. Muitas vezes não é.


Transferir o autismo para um lugar secundário, um plano posterior e preconizar a pessoa facilita a prática profissional e favorece o êxito, seja essa prática realizada em escolas ou em consultórios.


A explicação é simples: nenhum de nós, profissionais, aprendemos durante a formação a lidar, ensinar, tratar ou interagir com um diagnóstico. Aprendemos, sim, a lidar com pessoas.

Que a Força para incluir esteja com vocês!

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