Olá, sou a Maryse

Depois de cerca de trinta anos trabalhando com pessoas com autismo, suas famílias e profissionais, decidi compartilhar experiências e questionamentos. O objetivo do blog Inclusive é trazer minhas ideias sobre incluir para discutir com as ideias de outros através daquilo que foi e está sendo produzido e vivido sobre o tema.

A definição de Inclusive é acrescenta algo ao que já foi dito; de modo inclusivo, sem exclusão, inclusivamente. Acredito na diferença e que é possível sairmos do nosso lugar em busca de olhar através do lugar do outro. Acredito em incluir.

Já nos meus primeiros anos de vida acadêmica e profissional, o papel que a relação Psicologia x Educação desempenharia em minha vida se anunciava. Todo meu fazer estaria atravessado por essas duas áreas de conhecimento. Assim, a Educação Especial foi pra mim um desfecho natural.

A educação sempre teve um papel de destaque na minha vida. Já passaram mais de trinta anos desde o meu primeiro emprego oficial que foi como professora da rede pública Municipal do Rio de Janeiro. Estava ao mesmo tempo, iniciando o curso de Psicologia. Um fato interessante, que talvez apontasse para o futuro, foi ter recebido em minha primeira turma um aluno de seis anos que apresentava um comportamento extremamente diferenciado dos demais.

Ele podia cantar várias canções em inglês de forma perfeita e recitar todos os comerciais de televisão que ouvira no dia anterior, porém não conseguia olhar em meus olhos ou fazer contato com os amigos. Era capaz de ler tudo que fosse escrito por mim no quadro negro, sem solicitação. Entretanto, não respondia a nenhuma pergunta que eu lhe fizesse, por mais simples que foi fosse. Ele anunciava para mim o quão desafiadora poderia ser a experiência de ensinar a uma criança que tinha autismo (ou apresentava um quadro psicótico, como o autismo era ás vezes nomeado naquela época).

Assim iniciou-se minha jornada  na  busca  por conhecer mais acerca do assunto. Ao longo de um ano, tentei diversas estratégias para lidar com aluno: fiz contato  com seu médico, com a sua família, fui até a sua casa, criei maneiras para tentar aproximá-lo de seus companheiros  de  classe. Lamentavelmente, apesar do meu  esforço bem-intencionado, foram poucos os avanços obtidos. Naquele momento tinha início   minha    convicção   de    que    seria

necessário mais que boas intenções, daqueles que se dispusessem a trabalhar com o objetivo de levar pessoas com autismo ou outros transtornos a desenvolverem seu potencial. Seria necessária a competência técnica.

Trabalhando na rede pública encontrei uma clientela bastante diversa. Embora muitos dos alunos não possuíssem diagnóstico preciso, tinham necessidades educativas especiais. Foram anos de grande aprendizado e eu pude conviver com as diferenças e ter uma visão de como o sistema educacional público lidava com as mesmas.

Trabalhando como psicóloga em consultório particular, tive uma experiência marcante. Fui apresentada a um menino de nove anos. Ele tinha autismo e havia sido convidado a retirar-se de uma escola especial por apresentar um número significativo de comportamentos auto e hetero agressivos. Aceitei o desafio de atendê-lo. Foi um ano de descobertas.

 

Desde então, desafios, descobertas e novos desafios têm sido o meu combustível. Impulsionaram-me a criar um instituto (Instituto de Capacitação e Promoção da Inclusão Ann Sullivan) para atender pessoas com autismo e suas famílias. Levaram-me a um mestrado e, posteriormente, ao doutorado tendo a inclusão escolar de crianças com autismo  como   tema.  São  vários   anos   capacitando,  realizando consultorias, entrando em salas de aula, casas 

de famílias, instituições e ambientes de trabalho de pessoas com autismo. Considerei esse o momento oportuno para compartilhar experiências através de um blog.

Bem vindos ao Inclusive...!

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